ARTE 8ºA, 8ºB, 8ºC Lista 28 Atividade Avaliativa

Lista de atividades 28

Atividade Avaliativa

Unidade Escolar: Colégio Estadual Antônio Oliveira da Silva
Nome:__________________________________
Data:_23_/_11_/_2020_
Professora: Janete Rosso
Ano: 8º
Artes - Teatro 06

As narrativas eurocêntricas e a diversidade estética da arte.

Observe o trecho do texto a seguir:

“TERROR E MISÉRIA NO III REICH – O DELATOR”

CENA X
O ESPIÃO

Colônia, 1935. Tarde chuvosa de domingo. Homem, mulher e menino depois do almoço.
[...] HOMEM – Logo hoje, essa chuva; que catástrofe. Não se pode viver num país onde um dia de
chuva é uma catástrofe.
MULHER – Que graça você vê nesse tipo de observação?
HOMEM – Dentro de minhas quatro paredes, posso dizer o que bem entender. Em minha própria casa não admito censura...
Interrompe o que está dizendo, pois entrou a empregada com a bandeja do café.
Enquanto ela está presente, ninguém fala. Ela sai.
HOMEM – Somos mesmo obrigados a ter uma empregada que é filha do fiscal do quarteirão?
MULHER – Já falamos demais nesse assunto. Da última vez, você disse que isso poderia ter suas
vantagens.
HOMEM – Sei lá se eu disse isso! Vai você repetir minhas palavras a quem quer que seja, até para
sua mãe, e verá em que bela situação ficaremos.
[...] MENINO (levantando os olhos do jornal) – Todos os padres fazem isso, papai?
[...] HOMEM – O que é que você está lendo? (Arranca-lhe o jornal da mão)
MENINO – Nosso chefe de grupo disse que nós todos podemos saber o que diz este jornal.
HOMEM – Não me interessa o que diz o seu chefe de grupo. O que você pode ou não ler, decido eu.
MULHER – Olhe aqui, Klaus-Heinrich, tome 10 pfennig e vá lá fora comprar alguma coisa para você.
MENINO – Está chovendo! (Apertando o rosto contra a vidraça, indeciso)
HOMEM – Se não acabarem esses artigos sobre os processos contra os padres, vou cancelar a
assinatura do jornal.
MULHER – E que outro jornal vai assinar? Todos trazem a mesma coisa.
[...] HOMEM – Isso é pura política.
[...] MULHER – Mas o que é que se pode esperar deles? Essas coisas acontecem.
HOMEM – O que se pode esperar? Que eles olhem para o próprio telhado de vidro. Ouvi dizer que
na própria Casa Marrom as coisas não são muito limpas.
[...] MULHER – (dando pela falta do menino) – Você viu o menino sair?
HOMEM – Não. 
MULHER – Não entendo como ele pode ter saído. (Chama:) Klaus-Heinrich! (Sai da sala. Ouve-se
sua voz chamando. Volta à sala.) Saiu mesmo!
[...] HOMEM – E você fica assim tão nervosa, só porque o menino saiu?
MULHER – Do que é que nós estávamos falando mesmo?
HOMEM – Que tem isso a ver?
[...] MULHER – Você bem sabe que eles escutam.
HOMEM – E daí?
MULHER – E daí? E se ele for contar? Sabe o que ensinam aos garotos na Juventude Hitlerista? Eles
são abertamente estimulados a contar tudo o que ouvem em casa. Não deixa de ser estranho ele
ter saído daqui tão de mansinho.
[...] HOMEM – Ele sabe o que acontece às pessoas que são denunciadas por alguém. Mas o que
você acha que ele pode ter escutado?
MULHER – O que você falou sobre o jornal. Também não deveria ter dito aquilo sobre a Casa
Marrom.
[...] HOMEM – Seu filho é um Judas! Fica sentado à mesa, tomando a sopa que lhe servimos,
enquanto escuta tudo o que os pais dizem. Espião!
MULHER – Não diga uma coisa dessas! (Pausa. Eles se olham apreensivos.) Acha que devíamos
tomar alguma providência?
HOMEM – Será que os homens virão já, com o menino?
MULHER – Tudo é possível, não é?
HOMEM – Não é bom eu pôr a minha cruz de ferro?
MULHER – Claro que sim, Karl. (O homem busca a condecoração militar e a coloca, com as mãos
trêmulas). Tem certeza de que não há nada contra você no colégio?
HOMEM – Como posso saber? Estou pronto a ensinar tudo o que eles quiserem que eu ensine. Mas
o que é que eles querem? Se eu soubesse! Como hei de saber o que eles querem que eu ensine
sobre, por exemplo, a figura de Bismarck? Os novos livros didáticos estão saindo tão devagar!
Escute, não é melhor dar mais 10 marcos à empregada? Ela vive escutando.
MULHER (concordando) – É. E o retrato de Hitler ficaria melhor sobre a sua escrivaninha, não acha?
HOMEM – É. Pode pendurar. [...] Mas se o menino disser que mudamos o retrato de lugar de
propósito, isso não vai dar impressão de consciência culpada? [...] Você ouviu o barulho da porta?
[...] (A mulher o abraça assustada.) Controle os seus nervos. Arrume algumas mudas de roupa para
eu levar.
Ouve-se bater a porta da rua. Homem e mulher estão juntos, de pé, no canto da sala, apavorados.
Entra o menino, com um saco de papel na mão. Pausa.
MENINO – O que há com vocês?
MULHER – Onde esteve?
O menino mostra o saco de bombons.
MULHER – Você foi só comprar chocolates?
MENINO – É claro. Que mais eu faria?
O menino atravessa a sala e sai comendo os bombons.
Seus pais olham-no com ar interrogativo.
HOMEM – Será que ele está dizendo a verdade?

Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 70-83. 
O trecho acima é da obra Terror e Misérias do III Reich, de Bertolt Brecht. Agora, sobre a obra e o
autor responda as seguintes perguntas. Pesquise na internet, caso necessário.

1. Quem foi Bertolt Brecht e qual sua importância para o teatro? (Escreva uma pequena biografia
sobre o autor)
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2. Quando a obra que você leu foi escrita e a qual momento da história mundial ela se refere?
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3. Quais são os principais sentimentos vividos pelos personagens na peça?
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4. Por que os dois personagens principais estão aflitos e qual o motivo da desconfiança deles?
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5. Qual a função política que o teatro exerce e por que ela é tão importante?
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